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Pontos de ônibus: boa impressão ou frustração no transporte coletivo

Não depende só dos ônibus um sistema de transporte coletivo de qualidade: a qualidade também está diretamente associada a elementos adjacentes – como os pontos de ônibus. Em todas as cidades que fazem parte do Grupo de Benchmarking QualiÔnibus, esse foi o elemento apontado pela população como um dos fatores mais problemáticos. Mas o que as cidades podem fazer para melhorá-los?

A informação veio com a aplicação da Pesquisa de Satisfação QualiÔnibus, que avalia a qualidade de diversos aspectos dos sistemas de transporte coletivo por ônibus a partir da percepção dos passageiros. Os pontos de ônibus são o primeiro contato das pessoas com o sistema. Ou seja: podem ser uma primeira boa impressão ou, ao contrário, a primeira frustração. Longas esperas sem conforto ou proteção contra intempéries, falta de segurança, iluminação e informação sobre quando os ônibus vão chegar são alguns dos fatores que fazem com que as pessoas tenham uma experiência negativa com o transporte coletivo. Estudos mostram que um minuto de espera no ponto de ônibus pode ser percebido pelos passageiros de forma equivalente a até três minutos de deslocamento dentro do veículo.

O que as cidades podem fazer para melhorar?

Algumas encontraram soluções para viabilizar melhorias nos pontos de ônibus e estão servindo de modelo para outras que buscam o mesmo caminho. Uma delas é Belo Horizonte que, em 2016, deu início a uma nova concessão dos pontos de ônibus para implementação e manutenção de 1,1 mil abrigos.

No modelo utilizado pela capital mineira, a Emerge, empresa vencedora da licitação é responsável por instalar e realizar a manutenção dos pontos de ônibus, e a BHTRANS indica onde devem ser localizados. A empresa paga à cidade uma taxa por abrigo instalado e, como contrapartida, pode explorar comercialmente os espaços pré-estabelecidos de publicidade. O protótipo da empresa vencedora inclui maior área de cobertura, proteção traseira e lateral, assentos, painel com informações dos ônibus em tempo real, além de respeitar as normas de acessibilidade. O painel dinâmico é gerenciado pela Transfácil, empresa responsável pela bilhetagem e pelo sistema de informações do transporte coletivo em Belo Horizonte.

A mudança deu certo e Belo Horizonte teve a oportunidade de compartilhar a experiência positiva com outras cidades. Representantes de Fortaleza, Juiz de Fora, Recife e Uberlândia visitaram a capital mineira em uma missão técnica organizada pelo WRI Brasil. As quatro cidades fazem parte do Grupo de Benchmarking QualiÔnibus, aplicaram a Pesquisa de Satisfação e identificaram o mesmo desafio: os pontos de ônibus estão entre os aspectos mais problemáticos do sistema, segundo a visão dos passageiros.

Juiz de Fora foi uma das interessadas. Conforme apontou o Secretário de Transporte e Trânsito da cidade, Eduardo Facio, os pontos de ônibus foram o fator com maior índice de descontentamento entre os passageiros. A cidade quer reverter esse cenário. “Percebemos que os pontos estão precários em muitos locais, principalmente fora da região central, falta conforto e segurança. Precisamos mudar para atender o cidadão da melhor maneira. Às vezes o tempo de espera pode ser um pouco elevado e oferecer o conforto desejado é bom para todos”, comenta.

No encontro, as cidades tiveram a oportunidade de debater riscos e soluções, além de fazer um mapeamento dos atores que precisam ser envolvidos no processo de qualificação dos pontos de ônibus. Caminhando pelas ruas de Belo Horizonte, o contato direto com os passageiros mostrou que os elementos mais impactantes para a população foram o painel de informações em tempo real e a estrutura do ponto de ônibus em si, que oferece maior proteção contra chuva e vento.

A troca de experiências rendeu aprendizados que as cidades poderão aplicar no desenvolvimento de seus próprios planos de ação – como planeja fazer Juiz de Fora. “Foi interessante ver abrigos anteriores e abrigos atuais, implementados pelo contrato de concessão. O projeto tem dado certo e resultou na percepção de qualidade real pelas pessoas”, avalia Facio. “No nosso caso, esperamos fazer uma nova pesquisa com a população, entender o que eles desejam, quais itens devem ser disponibilizados nos pontos de ônibus, e com isso chegar a um modelo ideal que possa ser implantado nas diversas regiões da cidade, melhorando a qualidade para as pessoas”, acrescenta.

As cidades que participaram da missão têm pela frente o desafio de aplicar os conhecimentos compartilhados e, com isso, seguir o exemplo de Belo Horizonte e melhorar a experiência de seus moradores com o transporte coletivo. O modelo da capital mineira já passou por uma fase de testes, durante a qual tanto a prefeitura quanto a sociedade ajudaram a identificar ajustes necessários, como adaptações às vias mais inclinadas, aumento do número de assentos e algumas modificações estruturais para melhorar a segurança. A instalação começou em janeiro de 2017 e, até agosto deste ano, a cidade já tinha mais de 600 pontos de ônibus no novo padrão.

Via WRI Brasil.